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O corpo e eu

Como você percebe o seu corpo?


Com essa pergunta quero ir além da anatomia e fisiologia: as células, os órgãos, músculos, o complexo sistema nervoso e esqueleto ósseo, que nos permite uma série de movimentos. Todos sabemos que o corpo é considerado uma “máquina perfeita”, que com o tempo de uso se desgasta e precisa de cuidados e manutenção, até o momento em que não irá funcionar mais.


Agora pense o seu corpo com o olhar mais integrativo, como materialização da existência e manifestação do sagrado. Pense o corpo como parte da natureza que nasce e renasce enquanto matéria, que se renova trazendo um pouco do que foi. Na potência deste pensamento, te convido a perceber a sua integração com o todo.


Muito mais do que as características físicas impostas por padrões estéticos irreais criados por uma cultura patriarcal, que te fazem sentir em desarmonia com você mesma, o corpo é maneira como nos expressamos e interagimos com o mundo. Tudo o que fazemos tem influência no mundo, mesmo que isso escape à sua consciência. Se alguém disser : “o mundo não seria o mesmo sem você”, é uma verdade. Influenciamos e somos influenciados a todo momento.


Por séculos predomina o pensamento da superioridade da mente pelo corpo. Pensamento que se inicia na filosofia antiga, ao negar a importância do corpo uma vez que ele é finito e a alma imortal. Sendo assim, neste pensamento filosófico, a alma é superior ao corpo e sua vida valerá a pena se todas as suas ações forem comandadas por ela (alma = mente).Vemos o mesmo raciocínio em algumas religiões. A passagem de Adão e Eva, o conceito de céu e inferno, os sete pecados capitais, todos reforçando a carne (corpo) como algo pecaminoso e valorizando a separação entre o corpo e a mente.


Sabemos por meio de algumas linhas de pensamento da cultura oriental que sempre existiu a ligação entre o corpo e mente, o pensamento não dual, como é proposto pelos conhecimentos do tantra. No ocidente a psicanálise freudiana propõe que as emoções não resolvidas irão influenciar o comportamento, manifestando-se de diversas formas.


Sendo o corpo a ferramenta de nossa expressão e interação com a natureza, se tudo o que fazemos e sentimos passa pelo físico, como posso pensar que corpo e mente não atuam de maneira integrada?


Todas as nossas vivências passam pelo corpo e por isso deixam suas marcas, sejam elas boas ou ruins. Vou dar alguns exemplos: sabe quando alguém encosta em você e surge um desconforto, um arrepio? Ou quando você está na sua intimidade, com alguém quem você deseja e o seu corpo não responde, trava? Quando você não consegue se permitir certos tipos de contato? Quando você está em situação desconfortável e sua respiração acelera, as pernas vacilam e vem uma sensação de medo? Essas são experiências que nos contam um pouco sobre a memória do corpo e a sua interação como a mente consciente ou inconsciente.


Tudo passa pelo corpo e toda vez que usamos de algum mecanismo para bloquear uma emoção ou sentimento, estamos deixando essa marca no corpo e o resultado pode se manifestar em forma de tensões musculares, dores ou desenvolvimento de uma doença psicossomática.


Trabalhando com mulheres fica muito claro o que fazemos a nós mesmas, a começar pela não aceitação do físico. A maior parte das mulheres que atendo passaram por algum tipo de intervenção cirúrgica estética. Não estou me posicionando a favor ou contra as cirurgias estéticas, isso é muito pessoal. O que me entristece é quando escuto de uma mulher que todas as cirurgias feitas não supriram a expectativa inicial ou não trouxeram a satisfação esperada e hoje ela tem um dificuldade em sentir, em se entregar a determinadas experiências, em especial no contato íntimo.


Outra fala muito comum é queixa de não conseguir sentir prazer sexual, ausência de orgasmo (anorgasmia). Estes casos costumam ter relação com as mensagens negativas relativas ao corpo, recebidas seja na infância ou na vida adulta, e experiências sexuais ruins ou traumáticas.


Eu poderia citar muitos outros exemplos da memória do corpo e como ela influencia a nossa sexualidade. A mente influencia o corpo e vice versa. A mente relaxa o corpo e através do corpo relaxamos a mente.


O corpo é um instrumento sagrado e nos conecta com as possibilidades da existência. Você deve cuidar dele não porque o odeia, mas porque o ama. Vou finalizar chamando a sua atenção para os pequenos hábitos diários podem manter ou melhorar a relação com o corpo e as sensações: escolha um dia e tome um banho com mais atenção, sinta a água caindo, use um sabonete com cheiro que te agrada, acaricie a sua pele ao usar o hidratante, toque-se com amorosidade, sem pressa ou objetivo, respire fundo e sinta. É um bom começo.


A plena consciência do corpo e das emoções cria condições para que as experiências de vida se deem através de escolhas mais saudáveis e mais conscientes resultando em um melhor entendimento do caminho trilhado.




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