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A vez do pau mole.

Inspirada pela minha condição de mulher, que se entende heterossexual, e pelo podcast Meu Inconsciente Coletivo, veio a vontade de falar a respeito do pênis.


Mas não pretendo ressaltar as características que tanto reforçam a potência masculina, perpetuada pelo senso comum. Pelo contrário, quero trazer aqui um assunto que para alguns pode ser sensível, desagradável ou até mesmo desnecessário.


Eu quero falar do pênis de ereção duvidosa. Literalmente, o brocha. Também conhecido como pau mole, meia bomba, soca fofo.


(Saibam que esse texto foi tendo vários tons até que encontrasse aquele que julgo ser mais apresentável).


E por que falar disso, quando o que todo mundo quer é potência? Potência para conquistar tudo e todos, seja na cama ou pela grana.


Em tempos de insegurança física e emocional, onde por trás das telas criamos mundos fictícios e podemos representar qualquer papel, eu sugiro aos homens que se permitam brochar. E ao brochar, que vocês percebam no corpo o peso de uma cultura machista e antiquada que ainda resiste e a meu ver ninguém aguenta mais.


Querido homem, brochar pode ser bom. Nem que seja uma vez. Brochar é generoso, te permite ser vulnerável.


Brochar pode te apresentar novos horizontes. Pode te deixar mais criativo e aberto para um mundo de possibilidades que talvez você não considerasse. Para alguns pode ser um encontro com a verdade.


Penso que deve ser cansativo querer a todo custo pôr o pau na mesa e medir quem tem o maior.


E mulher, permita ao homem brochar. Isso não tem nada a ver com você. Ou pode ter também. Mas é para isso que os diálogos existem.


Aproveito para deixar claro que nós mulheres também brochamos, só que nisso a anatomia nos favorece. E aprendemos a disfarçar muito bem qualquer insatisfação, seja para não desagradar, e assim garantir os afetos, ou para se não questionar a respeito da própria percepção do corpo e do prazer.


Por isso o conselho: homens se permitam brochar. Ainda mais sabendo que é uma das coisas inevitáveis da vida.


E eu gostaria que a palavra brochar não fosse empregada apenas para destacar uma falha no mecanismo de ereção peniana. Brochar também pode ser usado para se referir à falta de graça, à falta de entrega, à falta de confiança.


Uma das coisas mais brochantes é um homem que se esconde atras de uma masculinidade distorcida e mostra o seu pau ausente. Como se distanciamento emocional fosse um sinal de evolução da espécie.


Saibam que um pau mole acompanhado de um caráter honesto, presença e comprometimento, está em falta e por isso em alta no mercado.


Finalizo este texto com a frase atribuída a Che Guevara: “hay que endurecerse pero sin perder la ternura”.


Até a próxima!

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